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Wed 08 Sep 2010
Aspectos da Pós-Modernidade a Partir da História de um Jovem Levita (1) PDF Imprimir E-mail
Escrito por Mauricio Abreu de Carvalho   
Seg, 12 de Julho de 2010 09:24
 “Havia um moço de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita, e se demorava ali” Jz 17.7

Parece que vivemos quase num consenso quando nos referimos á crise de direção e sentido em nossa sociedade. O pluralismo, característica de nosso tempo, conduz a uma gama de opções que relativizam escolhas e mina certezas e convicções. Dentro desse quadro é interessante alinhavar alguns aspectos da pós-modernidade (2) com o intuito de conhecer melhor o espírito desta época.
O ponto de partida dessa reflexão é o texto de Juízes, capítulos 17 e 18 (1). Inicialmente é bom salientar que o período de juízes é marcado também por uma crise de autoridade e de valores. Não havia rei em Israel e cada um fazia o que bem lhe parecia aos seus olhos. Nos capítulos citados encontramos uma curiosa história de um homem chamado Mica que havia roubado a sua própria mãe. Com medo das maldições de sua genitora ele devolve o que havia furtado.
Sua mãe agradece ao Senhor e surpreendentemente, solicita ao seu filho que faça imagens de escultura com o objetivo de criar um local de culto. Essa passagem revela o sincretismo religioso pelo qual vivia os israelitas que não distinguiam o culto ao Deus verdadeiro das práticas pagãs dos cananeus.  É o que de certa forma pode-se identificar em nossa sociedade. Como a religião cristã gradativamente deixa de ser o padrão para o comportamento atual acabamos por sofrer um relativismo pernicioso. Tudo é permitido, afinal de contas não havendo princípios definidos a serem seguidos tornamo-nos senhores de nós mesmos, “cada cabeça uma sentença”. O cristão é chamado a pautar sua vida segundo princípios pré-estabelecidos na Bíblia (ética de-ontológica). Se não houver esse compromisso as escolhas obedecerão uma ética situacionista, isto é, estarão sujeitas aos ventos de mudanças da sociedade. Ou poderão se fundamentar numa ética teleológica, quando os valores dependem daquilo que é conveniente ou vantajoso para quem decide.

Na casa de Mica é estabelecido um templo pagão com um de seus filhos como sacerdote. A situação não era boa, mas infelizmente piorou. Estava “demorando” por ali um jovem levita sem rumo. Ouvindo uma proposta financeira de Mica assumiu o posto de sacerdote daquele culto recém inaugurado. Ele pertencia a uma tribo sacerdotal dedicada ao culto do verdadeiro Deus. Porém, vendeu seu chamado e assim endossou o erro religioso. A atitude do jovem levita é muito semelhante ao secularismo que vivemos em nossos dias. Existe um desprezo pelas coisas sagradas. Muitos manipulam a fé como se fosse um supermercado onde pode se comprar por qualquer valor alguma benção religiosa. Pastores, líderes, obreiros que foram reconhecidos por alguém como ministros de Deus barganham seus chamados com o objetivo de satisfazer seu próprio ventre. Mercadejam suas funções e influência sobre os crentes incautos com o objetivo de alcançarem status. E o resultado disso é o fortalecimento do ceticismo dos adversários da igreja e o aumento do número dos decepcionados com a Igreja.  

No final da história descobrimos que a ambição do jovem não tinha limites. Um grupo de danitas oferece uma condição financeira e um status melhor. Sem resistências ele acompanha esse grupo para o norte. A tribo de Dã se extingue posteriormente, quem sabe esse episódio não seria determinante para a destruição futura da tribo. Quando o cristão não age com integridade. Quando “brinca” com o seu chamado como fez Sansão por exemplo. O resultado disso afeta não somente a ele, mas também os que estão à sua volta.

Até que ponto a situação de desregramento, cinismo e secularismo que identificamos hoje ao redor são causados pela omissão ou falta de caráter daqueles que se dizem cristãos?

Temos um desafio importante pela frente e os jovens podem fazer a diferença, ou não?  A resposta só o tempo dirá.

(1) Dicas de Leitura: O Ricardo Agreste desenvolve muito bem essa comparação através do livro: Agreste, Ricardo – Geração da Hora num País Chamado Brasil, Ed.Cultura Cristã;

(2) A Pós-modernidade é caracterizada por ser uma anti-cosmovisão. Nega a possibilidade de se ter qualquer padrão universal para a tomada de decisões.
Quem quiser uma leitura mais aprofundada sobre a pós-modernidade numa ótica cristã pode ler: Amorese, Rubem Martins – Icabode, Abba Press; GRENZ, Stanley – Pós-modernismo, Vida Nova.

Última atualização em Seg, 12 de Julho de 2010 09:28
 

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